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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Uma história de Amor ou uma história caricata?

Em 2008, Cayetana de Alba, tinha 81 anos, deslocava-se em cadeira de rodas por padecer de hidrocefalia e isquemia cerebral. E vivia uma imensa solidão...




Alfonso Diez, tinha 57 anos, era funcionário público, certinho e recatado, culto, cinzento e estranhamente solteiro... 
 

Trinta nos antes, mercê da relação de amizade de seu irmão com o então marido dela, os seus caminhos tinham-se cruzado. A beleza e o porte majestoso - somatório dos 500 anos de ancestral nobreza que ela carregava no seu ADN - fascinaram-no. Mas ela tinha um marido e era feliz....

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Por isso, esses caminhos voltaram a seguir paralelos, até porque se moviam em meios sociais diferentes.

Ela enviuvou, pela segunda vez aos 75 anos. Já não era jovem, nem atractiva. Rica, muito rica, no Guinness por ser detentora do maior número de títulos nobiliários,  María del Rosario Cayetana Paloma Alfonsa Victoria Eugenia Fernanda Teresa Francisca de Paula Lourdes Antonia Josefa Fausta Rita Castor Dorotea Santa Esperanza Fitz-James Stuart y de Silva Falcó y Gurtubay estava só... 

Só estava também Alfonso.

Quis o destino que as suas solidões de cruzassem,  em 2008, à porta de um cinema, e descobrissem que, afinal, eram almas gémeas, com gostos semelhantes: viagens, touros e cinema, a cultura em geral... 

E, desde esse momento mágico, começaram a preencher a vida um do outro. Tornarem-se melhores amigos, inseparáveis. Ele reencontrara a sua diva, a que foi a sua paixão platónica durante 30 anos. Ela tinha agora um homem que lhe chamava 'minha princesa' e 'minha porcelana'. Ridículo? Estas palavras, tal como as cartas de amor, são sempre ridículas para quem lhes é alheio. Para Caetana, foram a nova fonte de vida. Submeteu-se a uma operação de implante de uma válvula no cérebro, que associada ao efeito sempre saudável de um coração com uma paixão fresquinha, fizeram o milagre de lhe devolver a autonomia e a alegria de viver.

E aquela velhinha, até ali amarfanhada numa cadeira de rodas, deu lugar a uma mulher feliz, inacreditavelmente dinâmica.

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Cúmplices, como todos os namorados,  


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enfrentaram críticas e obstáculos, que não surpreendem quando se envolvem uma paixão serôdia,  um modesto funcionário público, embora bonitão, de 60 anos, com um salário de 1.500 euros, e uma aristocrata multimilionária, de 85 anos, em que as plásticas levaram as rugas, mas deixaram uma máscara.

Porém, a força da relação e do sentimento profundo que os uniu, tudo venceu, mesmo a resistência dos filhos, que o acusavam de papa-fortunas...  A estocada final destes noivos, a compra da sua liberdade, traduziu-se na outorga do testamento a favor dos seus seis filhos, e na assinatura, por Alfonso Diez, de uma declaração de renúncia aos bens e direitos que teria como Duque de Alba.

Casaram hoje. Nas mãos entrelaçadas, sente-se a partilha e a emoção desse momento especial

La Ceremonia de boda de la Duquesa de Alba: Cayetana hace su lectura en la misa

Houve festa e alegria. Ela dançou. Ele olhava-a com o olhar tão carinhoso.

  

E acompanhava-a ao ritmo de uma sevillana, de que ela tanto gosta.

La Duquesa de Alba baila por palmas tras su boda con Alfonso Díez

Estavam felizes.


Ouvi que vão de lua de mel para a Tailândia, quais jovens apaixonados, num destino paradisíaco... Que bom!

Já ouvi, quem, olhando para esta história, a achasse ridícula e caricata. Eu, ao contrário, acho-a gira e fico muito contente com o happy end. Adoro histórias de amor. Desse amor arrebatado, sem idade, sem barreiras, que é uma fonte instiladora de vida. Este amor que nos enlouquece e nos transforma: que transformou uma velhinha dependente, numa jovem mulher de 85 anos, que partilha com o seu homem - com aquele que a prefere a todas, como dizia o nosso Garrett - a ingénua e tola cumplicidade que só os corações apaixonados conseguem viver e entender em toda a sua plenitude.

Vivam os noivos! 
Que sejam muito felizes!




4 comentários:

  1. Absolutamente fantástico!Este é um tema perfeitamene à medida desta sua nave do sonho.

    Bj
    Olinda

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  2. Não digo que seja uma história de amor e não digo que o não seja.
    Sei que acredito cada vez mais que é possível o amor em qualquer idade, e que às vezes a solidão pode fazer as pessoas aproximarem-se pela companhia e o entendimento um com o outro, sem qualquer outro interesse.
    Aqui o que será? Só os interessados o saberão com verdade e na verdade, ninguém tem nada com isso.
    Um beijo

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  3. Olá Olinda,

    Obrigada. A solidão e a necessidade de colinho, que, já percebi, aumenta na razão directa do passar dos anos e na inversa do número de pessoas que se dispõe a dá-lo, faz-me estar muito atenta às atitudes dos mais velhos, dominando o primeiro impulso de os julgar pela negativa...

    Um beijinho.

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  4. Pois é, Isabel, o que será? Mas, olhe, seja o que for, gostei tanto do que vi nos olhos de ambos, como detestei o que li no olhar frio do Alberto de Mónaco e nos tristes olhos azuis da sua linda mulher, no dia do casamento...

    Obrigada e beijinho.

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